Origem, sintomas, tratamentos e o papel da Terapia Cognitivo-Comportamental

A esquizofrenia é um transtorno mental grave, crônico e complexo que afeta a forma como a pessoa pensa, sente, percebe a realidade e se comporta. Ela pode comprometer significativamente o funcionamento social, familiar, acadêmico e profissional do indivíduo. Apesar de ainda existirem muitos estigmas e preconceitos, trata-se de uma condição de saúde mental que possui tratamento e acompanhamento adequados, possibilitando qualidade de vida e autonomia.

Origem e causas

A esquizofrenia não tem uma causa única, sendo compreendida atualmente como resultado da interação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais.

Entre os principais fatores envolvidos estão:

  • Genéticos: pessoas com familiares de primeiro grau com esquizofrenia apresentam maior risco de desenvolver o transtorno.

  • Neurobiológicos: alterações em neurotransmissores, especialmente dopamina e glutamato, além de diferenças na estrutura e funcionamento cerebral.

  • Ambientais: complicações na gestação ou no parto, infecções, uso de drogas (principalmente maconha em adolescentes vulneráveis), estresse intenso, traumas e situações sociais adversas.

Normalmente, o transtorno surge no final da adolescência ou início da vida adulta, fase em que o cérebro ainda está em desenvolvimento.


Sintomas

Os sintomas da esquizofrenia costumam ser divididos em três grupos principais:

1. Sintomas positivos (excesso ou distorção da realidade):

  • Alucinações (principalmente auditivas, como ouvir vozes)

  • Delírios (crenças falsas, como perseguição ou grandeza)

  • Pensamento e fala desorganizados

  • Comportamento agitado ou estranho

2. Sintomas negativos (redução de funções emocionais e sociais):

  • Falta de motivação

  • Isolamento social

  • Redução da expressão emocional

  • Dificuldade de sentir prazer

  • Pouca iniciativa para atividades diárias

3. Sintomas cognitivos:

  • Dificuldade de atenção e memória

  • Problemas de concentração

  • Prejuízo no planejamento e tomada de decisões

Esses sintomas podem variar em intensidade e frequência, alternando períodos de crise e estabilidade.


Tratamentos

O tratamento da esquizofrenia é contínuo e geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar. Os principais recursos incluem:

Medicação antipsicótica:
É a base do tratamento, ajudando a controlar alucinações, delírios e desorganização do pensamento.

Acompanhamento psiquiátrico regular:
Ajustes de medicação e monitoramento de efeitos colaterais são essenciais.

Psicoterapia:
Auxilia na compreensão da doença, no enfrentamento dos sintomas e na melhora da funcionalidade.

Reabilitação psicossocial:
Inclui apoio familiar, grupos terapêuticos, treinamento de habilidades sociais e reinserção no trabalho ou estudo.


Como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem se mostrado uma importante aliada no tratamento da esquizofrenia, especialmente quando combinada com o uso de medicação.

A TCC não substitui os medicamentos, mas complementa o tratamento ao ajudar o paciente a desenvolver estratégias práticas para lidar com os sintomas e melhorar sua qualidade de vida.

Entre seus principais benefícios estão:

  • Psicoeducação: compreensão sobre a doença, sintomas e tratamento

  • Reestruturação cognitiva: questionar e modificar interpretações distorcidas da realidade

  • Manejo de alucinações e delírios: aprender técnicas para reduzir o impacto das vozes e crenças persecutórias

  • Redução do estresse: desenvolvimento de estratégias de enfrentamento

  • Treino de habilidades sociais: melhora da comunicação e dos relacionamentos

  • Prevenção de recaídas: identificação de sinais precoces de crise

Por exemplo, quando um paciente ouve vozes, a TCC pode ajudá-lo a avaliar a veracidade dessas experiências, diminuir o medo associado e desenvolver formas de ignorá-las ou controlá-las.

Além disso, a terapia fortalece a autonomia, a autoestima e a adesão ao tratamento.


Considerações finais

A esquizofrenia é um transtorno sério, mas tratável. Com diagnóstico precoce, uso adequado de medicação, apoio familiar e acompanhamento psicológico — especialmente por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental — é possível reduzir sintomas, prevenir recaídas e promover uma vida mais estável e funcional.

Combater o preconceito e ampliar o acesso ao tratamento são passos fundamentais para garantir dignidade e inclusão às pessoas que convivem com essa condição.